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                      TOCAIA
 
          Chega esta coisa viscosa,
          desce sobre mim,

          vez por outra me envolve;
          arrefece-me o ânimo, poda-me,
          gruda-se ao meu corpo como pele áspera.
          É traiçoeira, sinistra, funesta;
          põe-se de tocaia, à espreita, fragiliza-me;
          ao menor descuido ataca e vence,
          Traz com ela uma lassidão,
          um  desalento in­tenso, uma frouxidão,
          uma ausência de desejo de vida, um tormento.
          Toma conta da nuca,
          apaga a luz dos olhos,

          debilita  as  pernas,
          tensiona as mãos.
          Não sei de doença mais sem jeito
          do que a tristeza...

             
LuciaArmenioLeal
Enviado por LuciaArmenioLeal em 04/02/2018
Alterado em 04/02/2018


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Imagem de cabeçalho: jenniferphoon/flickr